Não sei quantas pessoas se lembram de tudo, de cada sensação, cada odor, cada imagem, cada palavra.
Não sei quantas pessoas entendem demais, vêem cada milímetro do círculo.
Não sei quantas pessoas sabem mais do que podem dizer, mais do que podem contar, mais do que grande parte das pessoas entenderia.
Não sei quantas pessoas absorvem, tocam, respiram cada traço da mais pura realidade.
Não sei...
- André Walker -
domingo, 9 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.
- Fernando Pessoa -
- Fernando Pessoa -
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Alguns...
Alguns vêem, mas não podem enxergar
Alguns falam quando deveriam se calar
Alguns exageram quando deveriam se controlar
Alguns dormem quando deveriam acordar?
Alguns se perdem quando deveriam se encontrar
Alguns fervem quando deveriam esfriar
Alguns se descontrolam quando deveriam raciocinar
Todos sofrem por isso...
- André Walker -
Alguns falam quando deveriam se calar
Alguns exageram quando deveriam se controlar
Alguns dormem quando deveriam acordar?
Alguns se perdem quando deveriam se encontrar
Alguns fervem quando deveriam esfriar
Alguns se descontrolam quando deveriam raciocinar
Todos sofrem por isso...
- André Walker -
terça-feira, 4 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Que alguém me liberte da impenetrável prisão, de ser quem eu sou
Não quero que se fechem, meus ouvidos, mas também me incomoda que ouçam demais
Não desejo que me abandonem, os sentidos, mas tê-los de sobra, tão bem; não me faz
E que a verdade me acerte! Em irreparável destruição, me seguindo onde vou
Espero sentir e saber, reconhecer, a verdade nos olhares, e assim não me enganar
Se eu puder entender, e vencer a maldade, fugir dos pesares e então, enfim, me salvar
Me esconder dos olhos do mundo
Respirar, ainda que, por um segundo...
Me esconder dos olhos do mundo
Respirar, ainda que, por um segundo...
- André Walker -
A teoria do silêncio
Um ambiente sufocante, opressor, nos leva, muitas vezes, a retração. Nem sempre você pode se manifestar em relação a tudo o que sufoca sua liberdade, em várias esferas, mas isso não significa desistir. Às vezes, é apenas, preciso fechar um pouco os olhos e respirar. Lutar até ter condições de crescer e ter, finalmente, a força necessária para enfrentar aquilo que luta contra sua liberdade, que atenta contra sua felicidade e coloca algemas nos braços dos seus sonhos... Paciência é a chave...
- André Walker -
domingo, 2 de outubro de 2011
Lágrimas
Apenas uma lágrima tem o poder de empurrar para fora
Aquilo que dói, lá, por dentro
Não se limita a expressar a dor, explica, entende e aflora
A dor e o amor e o tempo...
Aplaca a dor que sufoca, vêm sem um aviso, sem hora
E se vão como o sopro de vento
E então os sonhos começam e as dores, enfim, vão embora
- André Walker -
Aquilo que dói, lá, por dentro
Não se limita a expressar a dor, explica, entende e aflora
A dor e o amor e o tempo...
Aplaca a dor que sufoca, vêm sem um aviso, sem hora
E se vão como o sopro de vento
E então os sonhos começam e as dores, enfim, vão embora
- André Walker -
Aquele Sol, que primeiro escaldou meu peito, trouxe-me a bela face da verdade, revelada na luz dos seus argumentos. Admitindo meu erro, levantei minha cabeça para melhor expressar minha confissão, mas, antes que eu pudesse abrir a boca, uma nova visão me surpreendeu. Ela tomou minha atenção e fez que esquecesse a confissão.
Numa superfície lisa, parecida com um vidro transparente ou a superfície de um lago tranqüilo, eu vi rostos refletidos. Pálidos, pareciam ansiosos por falar. Acreditando serem mesmo reflexos, cometi o erro oposto ao de Narciso, e virei-me para vê-los de frente mas não achei ninguém. Então olhei para a luz da minha doce guia. Ela me olhava sorrindo.
— Não te admires por eu estar sorrindo por causa de tua reação infantil — disse ela. — É engraçado que não confias no que vês diante dos teus próprios olhos, e te viras para procurar no nada. São substâncias verdadeiras o que tu vês. Estão nesta condição porque quebraram suas promessas. Fala com elas, e crê no que elas te disserem, pois é Luz verdadeira que as ilumina e não permite que faltem com a verdade.
Canto III - Almas na Lua - Piccarda - Constança.
A divina comédia.
- Dante Alighieri -
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